Cidade dos Animais




Autor Tópico: A Lagarta do Pinheiro - Um Perigo!  (Lida 24881 vezes)

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Offline anita14

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Re: A Lagarta do Pinheiro - Um Perigo!
« Responder #30 em: Quarta, 25 Janeiro 2012, 14:34 »
Eu também nunca as vi, mas já vi um cão afectado... E não é nada bonito :/ Mais vale mantê-los afastados dos pinheiros nestas alturas.
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Offline Sonialoureiro

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Re: A Lagarta do Pinheiro - Um Perigo!
« Responder #31 em: Domingo, 29 Janeiro 2012, 18:42 »
:fx:

Offline Panther

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Re: A Lagarta do Pinheiro - Um Perigo!
« Responder #32 em: Quarta, 19 Março 2014, 15:43 »



Offline Dany Oliveira

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Re: A Lagarta do Pinheiro - Um Perigo!
« Responder #33 em: Sexta, 14 Novembro 2014, 09:55 »
Um amigo meu também tocou nesses bichos

Offline Panther

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Re: A Lagarta do Pinheiro - Um Perigo!
« Responder #34 em: Quinta, 10 Março 2016, 17:42 »
Mais uma notícia sobre o assunto:

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Oito esclarecimentos a que todos os tutores devem estar atentos. Podem salvar a vida do seu animal de estimação.

1 - PROCESSIONÁRIA ou lagarta do Pinheiro são nomes vulgarmente dados a “Thaumetophoea pityocampa”, lagarta que infesta sobretudo o pinheiro bravo e o manso, mas também o silvestre, o laríceo, o insigne, o pinheiro do alepo, cedrus atlântica, cedrus deodora e cedrus do Líbano. É uma praga vulgar em Portugal, devido à presença destas espécies nas nossas manchas florestais. Espécie mediterrânica, encontra-se em toda a península ibérica, estendendo-se ao Norte de África e Turquia, mesmo em grandes altitudes. Apesar do seu aspeto inofensivo, é devastadora para o pinheiro e para toda a floresta, causando graves problemas de saúde pública. Pode ser muito perigosa para animais domésticos, silvestres e Homem, particularmente crianças.

2 - O CICLO BIOLÓGICO da lagarta do Pinheiro completa-se geralmente em um ano e tem duas fases distintas: a aérea (na copa dos Pinheiros) e a terrestre (no solo). Como todos os insetos , o desenvolvimento da lagarta passa por diferentes estádios, que neste inseto em particular são cinco e é a partir do 3° que se tornam perigosas para a saúde pública. Entre setembro e outubro as lagartas estão no 1° e 2° estádio de desenvolvimento. Vivem em ninhos provisórios, que vão sendo abandonados até à formação do ninho definitivo (ninho de inverno). O 3° e 4° estádio ocorre no período de inverno e as lagartas estão em desenvolvimento ativo, construindo o ninho tipo novelo de seda, que facilmente identificamos se observarmos os pinheiros da zona onde vivemos. Têm, nesta fase, alimentação noturna, permanecendo no ninho durante o dia (este funciona como acumulador térmico). Surgem os pelos urticantes e o corpo reveste-se de quitina (endurecimento). No 5° estádio atingem o desenvolvimento máximo. Ocorre entre fevereiro e maio e as lagartas abandonam os ninhos, em migração coletiva, em fila indiana, motivo pelo qual são denominadas de Processionárias (como se se deslocassem em procissão). Descem das árvores para se enterrarem no solo, a uma profundidade de 15-20 cm, passado à fase de pupa ou crisálida, evoluindo depois para o inseto adulto (borboleta), que emerge no verão, completando assim o seu ciclo anual. O grau de desenvolvimento das lagartas está diretamente relacionado com as condições climatéricas existentes, podendo verificar-se um aceleramento/retardamento dos estádios. Invernos secos e de céu descoberto aceleram o ciclo e nestes anos, em dezembro/janeiro, já existem lagartas no chão.

3 - A INTOXICAÇÃO por contacto com a processionária tem, portanto, caráter sazonal, dependendo do clima da região, verificando-se uma maior percentagem de casos a partir de Fevereiro e até à Primavera. Em Invernos mais amenos podem observar-se as migrações ainda durante o mês de Janeiro, ou em caso contrário, estas prolongarem-se até ao Verão. Durante estes meses as lagartas estão maduras e apresentam defesas contra os predadores naturais, defesas estas compostas por oito recetáculos, cada um com 120 000 pelos urticantes, de cor alaranjada. Quando a lagarta se move os recetáculos abrem, libertando milhares de pelos que se dispersam no ambiente. Funcionam como finas agulhas, inoculando na pele e mucosas uma proteína tóxica, capaz de provocar a libertação massiva de histamina, pelo, tecido ou órgão afetado. O Homem, assim como cães, gatos, cavalos e outras espécies, desenvolvem um processo alérgico grave e exuberante, quando contactam com estes mesmos pelos. Não é, portanto, fundamental o contacto direto com a lagarta. Os pelos soltos no ambiente podem provocar o mesmo tipo de reação, não só pelo contacto com as superfícies onde se depositaram, como também por inalação dos que estão presentes no ar inspirado.

4 - A principal VIA DE CONTACTO dos animais domésticos com a processionária é a cutânea, podendo também ser digestiva ou ocular. No cão, a curiosidade natural leva-o a saborear aquele ser adocicado e diferente. Portanto a mucosa oral e a língua são as zonas anatómicas mais afetadas. No entanto os pelos leves e flutuantes podem também afetar a mucosa ocular e serem inalados, provocando sinais clínicos sistémicos, mais raros. No caso do Homem, as crianças são as mais vulneráveis, uma vez que também a sua curiosidade natural as leva a tocar nas lagartas, esfregando depois os olhos e a boca. É importante salientar que o aspeto visual da processionária é passível de criar alguma empatia, uma vez que os pelos lhe dão um aspeto lanoso e macio, para além das cores atrativas, dentro dos laranjas, amarelado e acastanhado. Ainda para mais, a migração em longas filas ondulantes aguça a curiosidade natural. Assim as crianças e os animais raramente sentem repulsa, apesar de ser um inseto, e sentem-se até impulsionadas a interagir com elas.

5 - Os SINAIS CLINICOS são variáveis e têm caráter evolutivo:
- inchaço do focinho
- salivação excessiva
- dificuldade em engolir
- prurido intenso, sobretudo na face
- urticária
- vómitos
- apatia
- perda de apetite
- dificuldade em mastigar
- alterações oculares

A língua é o órgão mais afetado, uma vez que é o que mais frequentemente entra em contacto direto com a lagarta, quando o cão explora o seu sabor e textura. Inicialmente aumenta de volume, torna-se azulada, surgindo, posteriormente, áreas de necrose (morte dos tecidos), de cor amarelada ou preta. Podem desenvolver infeção dos lábios, língua e de toda a garganta, para além da perda de tecidos, nas zonas necróticas, entre 6 a 10 dias depois da exposição.

No caso de contacto com os olhos, estes podem ficar com uma tonalidade azulada (devido a edema), fobia à luz, prurido ocular, conjuntivite e úlcera da córnea.

Os sinais clínicos sistémicos são raros e incluem choque anafilático, tremores musculares, coma e morte.

6 - O TRATAMENTO é unicamente sintomático, e quanto mais cedo for instituído melhor o prognóstico. Portanto mantenha-se atento e se detetar algum destes sintomas, leve imediatamente o seu animal ao veterinário. Um tratamento precoce pode ditar a forma como a doença irá evoluir. A zona afetada será convenientemente lavada e serão também administrados fármacos para a dor, inflamação e infeções secundárias. Terão que ser também instituídas terapêuticas de suporte de vida, uma vez que muitos destes animais estão impossibilitados de se alimentar convenientemente. Assim, nalguns casos, poderá ser necessário a colocação de uma sonda gástrica, para alimentação forçada e o doente ficar hospitalizado.

Não existe nenhum antídoto especifico para a toxina da processionária e a duração do tratamento é variável, dependendo da evolução da doença. Em termos gerais poderemos dizer que a recuperação acontece em mais ou menos 10 dias. O prognóstico é reservado, apesar de ser favorável na maioria dos casos. Depende do grau de infeção, da precocidade com que o tratamento é instituído e da quantidade de tecido morto perdido. Se ocorrer a perda de mais de dois terços da língua, o doente fica sem capacidade para se alimentar de forma autónoma e a eutanásia (infelizmente) poderá ser inevitável.

7 - A PREVENÇÃO baseia-se na evitação do contacto com as lagartas e consequentemente na destruição das mesmas. Durante o período de migração deve impedir-se o acesso dos animais a pinhais, jardins ou bosques, onde existam árvores das espécies referidas no ponto 1. Se vir as lagartas, não se aproxime ou toque nas mesmas, nem deixe que crianças ou animais o façam. Se houver pinheiros na rua onde mora e verificar a presença de ninhos ou das próprias processionária, contacte a câmara municipal. Se existir no seu próprio jardim, contacte empresas que facultem o serviço de tratamento dos pinheiros afetados.

8 - No CONTROLE das populações de lagartas, as técnicas variam conforme o estádio de desenvolvimento. Existem métodos microbiológicos, biotécnicos e mecânicos. Com medidas como estas espera-se uma diminuição dos danos provocados pela processionária e o controle da disseminação desta praga.

- estádios 1 e 2: os tratamentos químicos (inibidores do crescimento) e os inseticidas microbiológicos (bacillus thurigiensis) são os mais eficazes. Tem muito baixa toxicidade e são inócuos para o meio ambiente.

- estádios 3 e 4: tratamentos químicos já não são tão eficazes, porque as lagartas já adquiriram o seu revestimento de quitina. Passa a ser necessária a destruição mecânica dos ninhos, que devem ser queimados. Utilizar sempre máscara, luvas e fatos integrais quando se precede à retirada dos mesmos.

- estádio 5: o único método possível é a destruição mecânica das lagartas. Podem ser coladas, à volta da árvore, umas cintas de papel ou plástico embebidas em cola inodora, à base de poli-isolbutadieno. Assim as lagartas, ao descerem, fica agarradas a estas cintas. Depois são reunidas com o auxilio de um utensilio, com cuidado, para que se dispersem o menor número possível de pelos urticantes e de seguida queimadas.

- borboleta: o meio de combate mais usual passa pela colocação de armadilhas iscadas com feromona sexuais, para captura dos machos. Pode- se, ainda, tratar as árvores por microinjeção, com princípios nutritivos que incrementam a vitalidade e a sua capacidade de resposta defensiva.

Espero ter conseguido de alguma forma alertar para este problema, uma vez que nós veterinários temos que lidar com ele, frequentemente, durante o inverno. Não só causa grande sofrimento ao doente, como os métodos de tratamento nem sempre são eficazes e a frustração de um caso perdido é, muitas vezes, o sentimento que subsiste a uma luta inglória, para o trinómio envolvido: profissional/tutor/doente. Se estivermos alerta poderemos não só reduzir o número de exposições, como tratar mais precocemente, aumentado significativamente os sucessos terapêuticos e reduzindo os custos inerentes as estes mesmos procedimentos.

Mas com os devidos cuidados, disfrute de longos passeios ao ar livre com o seu companheiro de quatro patas, numa época em que o sol começa a estar mais convidativo.

Autora: Veterinária Célia Palma
Fonte: Visão



 


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