Cidade dos Animais




Autor Tópico: Diário de um cão  (Lida 631 vezes)

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Offline Constança

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Diário de um cão
« em: Quinta, 28 Dezembro 2006, 00:02 »
  • 1ª semana:
    Hoje faz uma semana que nasci! Que alegria ter chegado a este mundo!!!

    1º mês:
    A minha mãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar.

    2º mês:
    Hoje separaram-me da mãe. Ela estava muito inquieta e com os seus olhos disse-me adeus como esperando que minha nova "família humana" cuidasse bem de mim, como ela havia feito.

    4º mês:
    Cresci muito rápido, tudo chama a minha atenção. Há várias crianças na casa que são como meus "irmãozinhos".

    5º mês:
    Hoje castigaram-me. A minha dona zangou-se porque fiz "xixi" dentro da casa... mas nunca me disseram onde eu deveria fazer. E como eu durmo na marquise.! eu não me aguentei!!!

    6º mês
    Sou um cão feliz. Tenho o calor de um lar, sinto-me seguro e protegido... Creio que minha família humana me ama muito... Quando estão comendo me convidam, o pátio é somente para mim e eu estou sempre a fazer buracos na terra, como os meus antepassados lobos, quando escondiam a comida. Nunca me educam, seguramente porque nada faço de errado.

    12º mês:
    Hoje completei um ano. Sou um cão adulto e meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam. Que orgulhosos devem estar de mim!!!

    13º mês:
    Como me senti mal hoje... O meu "irmãozinho" tirou a minha bola. Como nunca toco nos seus brinquedos fui atrás dele e mordi-o. Mas como os meus dentes estão muito fortes, magoei-o sem querer. Depois do susto prenderam-me e quase não posso me mover para tomar um pouco de sol. Dizem que sou ingrato e que vão me deixar em observação certamente não me vacinaram)...não entendo nada do que está a acontecer.

    15º mês:
    Tudo mudou... vivo preso no pátio...na corrente...sinto-me muito só.... a minha família já não me quer. As vezes esquecem-se que tenho fome e sede e quando chove não tenho tecto que me cubra...

    16º mês:
    Hoje tiraram-me da corrente. Pensei que me tinham perdoado... Fiquei tão contente que dava saltos de alegria e meu rabo não parava de abanar. Parece que vou passear com eles. Entramos no carro, e andamos um grande pedaço. Quando pararam, abriram a porta e eu desci a correr, feliz, crendo que era dia de passeio no campo. Não entendo porque fecharam a porta e se foram embora... "Esperem"!!! - lati..."esqueceram-se de mim...!!!". Corri atrás do carro com todas as minhas forças... a minha angústia aumentou ao perceber que o carro se afastava e eles não paravam. Tinham-me abandonado...

    17º mês:
    Procurei, em vão, achar o caminho de volta à casa. Sento-me no caminho, estou perdido e algumas pessoas de bom coração que me olham com tristeza e me dão algo de comer... Eu agradeço com um olhar do fundo de minha alma... quisera que me adoptassem, eu seria leal como ninguém. Porém eles apenas dizem "pobre cãozinho, deve estar perdido".

    18º mês:
    Outro dia passei por uma escola e vi muitas crianças e jovens como os meus "irmãozinhos". Cheguei perto deles e um grupo, aos risos, atirou-me uma chuva de pedras "para ver quem tinha melhor pontaria"... uma dessas pedras atingiu um dos meus olhos e desde então não vejo com ele.

    19º mês:
    Parece mentira mas quando eu estava mais bonito as pessoas compadeciam-se mais de mim... Agora que estou muito fraco, com um aspecto bem mudado.... perdi o meu olho, as pessoas tratam-me aos pontapés quando pretendo deitar-me na sombra...

    20º mês:
    Quase não posso me mover. Hoje, ao atravessar a rua por onde passam os carros, um deles me atropelou. Pelo que sei, estava num lugar seguro chamado "sarjeta", mas nunca vou me esquecer do olhar de satisfação do motorista ao fazê-lo. Oxalá me tivesse matado... porém só me partiu as pernas.
    A dor é terrível, minhas patas traseiras não me respondem e com dificuldade arrastei-me até uma moita de ervas fora da estrada... Já faz 10 dias que estou em baixo de sol, chuva e frio, sem comer.
    Não me posso mover, a dor é insuportável, nunca me abandona. Sinto-me muito mal, estou num lugar húmido e parece que o meu pelo está a cair. Algumas pessoas passam e não me vêem; outras dizem: "não te aproximes".
    Já estou quase inconsciente, porém uma força estranha me fez abrir os olhos. A doçura da sua voz fez-me reagir. "Pobre cãozinho, como te deixaram", dizia... junto a ela estava um senhor de roupa branca que começou a tocar-me e disse: "Sinto muito senhora, mas esse cão já não tem remédio, o melhor é que deixe de sofrer."
    A gentil senhora consentiu, com os olhos cheios de lágrimas. Como pude, mexi o rabo e olhei para ela, agradecendo por me ajudar a descansar... Senti somente a picada da injecção e dormi para sempre, pensando em porque nasci, se ninguém me queria...


    Moral da história: A solução não é deixar um cão na rua, mas sim educá-lo. Não transforme num problema uma grata companhia. Ajude a despertar as consciências para acabar com o problema dos cães de rua. Envie este texto a todos que puderes.
    « Última modificação: Quinta, 01 Janeiro 1970, 01:00 por Constança »

    Offline mary

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    « Responder #1 em: Quinta, 28 Dezembro 2006, 13:39 »
    Já conhecia esta história, e é realmente comovente!   :(  
    « Última modificação: Quinta, 01 Janeiro 1970, 01:00 por mary »

    Offline Poneka

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    « Responder #2 em: Quarta, 03 Janeiro 2007, 16:55 »
    Esta história deixa-me sempre com as lágrimas no canto do olho, é mesmo triste   :(  
    Toda a gente devia ler este 'diário' e tomar consciência do que significa adoptar um cão e tudo o que isso implica. Um cão (tanto cães, como gatos, como qualquer outro animal ou ser humano) não é um brinquedo e não é giro só porque é bebé e fofinho, são seres vivos que sentem e sofrem tal como qualquer um de nós e não merecem ser tratados desta forma porque são mais fieis que muitos dos que chamamos 'amigos'.
    « Última modificação: Quinta, 01 Janeiro 1970, 01:00 por Poneka »

     


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